Após 18 meses de viagem por quatro países, a cineasta sul-mato-grossense Mara Silvestre irá lançar o documentário “Integracionistas:O Rio, a Rota e o Mundo” em Campo Grande e Iquique (Chile)

Hoje, quem olha para a ponte de 1.300 metros em fase de finalização sobre o Rio Paraguai vê uma obra de engenharia, planilhas de logística e a promessa de cortar o tempo de transporte entre a América do Sul e a Ásia.
Décadas atrás, quem olhava para o mesmo ponto via apenas uma balsa atravessando o rio e um punhado de pessoas insistindo que ali passaria, um dia, um corredor entre dois oceanos.
É sobre essas pessoas que fala “Integracionistas: O Rio, a Rota e o Mundo”, documentário dirigido e roteirizado pela sul-mato-grossense Mara Silvestre que estreia em 30 de junho, em Campo Grande, e em 27 de julho em Iquique, no Chile.
Foram 18 meses de viagens para captar entrevistas em sete cidades de quatro países e dois anos de produção até o corte final, reunindo imagens inéditas e atas de reuniões que registram a Rota Bioceânica quando ela ainda era uma ideia distante demais para ser levada a sério.
A escolha de lançar a obra em duas pontas do corredor (Campo Grande, centro das articulações brasileiras, e Iquique, porta de saída para o Pacífico) une os dois oceanos pela cultura antes mesmo de a rota estar 100% operacional.
O Documentário é uma realização da Água Comunicação TV, contemplado no fomento do audiovisual do Ministério da Cultura através da Lei Paulo Gustavo (LPG) e Fundação de Cultura do Mato Grosso do Sul (FCMS).
Rio Paraguai e suas conexões
No documentário “Integracionistas: O Rio, a Rota e o Mundo”, o fio condutor da narrativa não é a rodovia, e sim o Rio Paraguai. Isso porque um dos primeiros equipamentos de integração entre os países foi justamente a balsa sobre o rio.
Como consequência estratégica, Porto Murtinho foi sendo retirada do isolamento e transformada em uma cidade extremamente estratégica.
A partir dessa simbologia, o documentário costura memória, identidade e futuro como elementos de uma mesma história viva. Para além da burocracia, está a integração entre povos e suas culturas.

“Os Santos Loucos” – Integracionistas
A expressão nasce de uma frase que o ex-senador argentino Roberto Augusto Ulloa disse em 1999, na chegada da primeira caravana internacional a Porto Murtinho: “As grandes obras as sonham os santos loucos; as executam os lutadores natos; as realizam os fazedores natos; as desfrutam os felizes sensatos; e as criticam os imbecis crônicos”.
A frase virou mantra repetido em vários idiomas pelos integracionistas, como destaca Mara Silvestre. Nessa caravana estavam nomes que hoje compõem o documentário, entre eles Heitor Miranda dos Santos, Myrian dos Santos, Jorge Soria, Gustavo Rauch Coll e Mario Cossío.
“Inseri essa frase porque ela é um registro histórico. Todos eles, em seus respectivos idiomas e países, passaram a repeti-la como um mantra, como um lema da integração. Ela ficou marcada na memória daqueles que participaram das primeiras caravanas e simboliza todo o processo de construção desse sonho coletivo”, pontua a cineasta.
Dando nome à ponte
Reforçando a importância de um dos pioneiros da Rota Bioceânica, a Comissão de Relações Exteriores do Senado analisa o PL 780/2023, que dá o nome de Heitor Miranda dos Santos ao trecho brasileiro da ponte entre Porto Murtinho (MS) e Carmelo Peralta (Paraguai).
Ex-prefeito de Porto Murtinho, promotor de Justiça e secretário estadual do Trabalho, Heitor é uma das figuras das primeiras articulações e um dos fios condutores do documentário. O relator é o senador Nelsinho Trad (PSD-MS), também entrevistado na obra.
Sobre o documentário
“Integracionistas: O Rio, a Rota e o Mundo” é uma produção da Água Comunicação TV, contemplada pela Lei Paulo Gustavo. O documentário possui direção e roteiro de Mara Silvestre, Marketing e Comunicação Internacional de Orlando Silvestre.
As entrevistas foram captadas em Campo Grande, Assunção, Loma Plata, Chaco Central (Paraguai), Iquique (Chile), Salta (Argentina) e Tarija (Bolívia).
O primeiro teaser traz Myrian dos Santos, ex-prefeita de Porto Murtinho; o segundo registra a frase de Ulloa parafraseada por Heitor Miranda.
Lançamento do documentário
- Campo Grande — 30 de junho, às 19h. Teatro Aracy Balabanian (Centro Cultural José Octávio Guizzo), Rua 26 de Agosto, 463. Entrada gratuita e aberta ao público.
- Iquique (Chile) — 27 de julho, às 18h30, no Salón Tarapacá.

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